Por que prefiro Rosa aos espinhos de Joyce

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Comentários
  1. valmir disse:

    Muito interessante seu artigo e o que passou a você passa a muita gente com a literatura e com as artes em geral. Penso que é uma questão de sensibilidade, de sintonia com os autôres, pois, não é suficiente ser inteligente ou culto para entrar no mundo do artista, do criadôr. É preciso entrar na onda, no mundo interior de quiem expressa un sentimiento ou uma idéia através da arte da arte e essa entrada não se consegue com a mente sósinha, porém com a ajuda do coração…
    Desculpeme meu Português. Faz masi de 40 anos que vivoi no exterior do Brasil.

  2. Nascimento disse:

    25.4.12 – 10:50
    Não li nem Joyce, nem Tolstói, nem Rosas, posto que não consigo penetrar nessa mecânica quântica literária, que parece uma bela construção, onde não mora ninguém. Em conpensação, entre muitos outros livros de gente de grande inteligência e talento, li os Sertões, de Euclides, que tem um começo penosíssimo mas que desemboca na odisséia de Canudos, a única que me interessa, porque diz respeito a nossa realidade nordestina. Nada contra Rosa, é óbvio, que ainda vou ver se consigo ler.

  3. Cícero Dias disse:

    Amigo Hélder: Ler Ulisses é preciso; entendê-lo, não é preciso – com o perdão da paráfrase do Pessoa! Por que é preciso lê-lo? Para saber que os clássicos da Literatura, muitas vezes, são mais valorizados do que realmente merecem. Inovações linguísticas? Fluxo de Consciência? Palavras-valise? Tudo isso é muito bonito em Joyce, mas em Guimarães é bem melhor, fluído e racional, uma vez que em nossa língua a liberdade de criação é meia-irmã da logística sócio-histórica.. A maior parte dos nossos “intelectuais” que decantam a magistralidade do mais conhecido filho da Irlanda – inclusive nas faculdades de Letras de nossa Pequenina e Heróica – não sobreviveu à travessia das mais de mil e cem páginas de árida narrativa, às vezes, sem lógica ficcional e cronológica. Endeusa-se o que é alienígena porque é moda, bonito e de bom tom. O velho e bom Guimarães, apesar de ter constituído uma obra cujo final é completamente inadmissível numa saga de homens do Sertão, trouxe o popular para a Literatura e, sem medo nem pejo, batelou-o até torná-lo ouro puro, do ponto de vista linguístico e literário. Não considero Sertões o melhor de seus trabalhos – onde já se viu dois vaqueiros, cabras machos dos bons, conviverem um tempão juntos e um nunca ter desconfiado da “fraqueza” do outro? – mas se comparado com a chatice de Joyce, está um bocado de ano-luz à frente. Grande abraço.

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