EM ANO ELEITORAL Assembleia só deve votar contas de Ricardo Coutinho reprovadas pelo TCE nas calendas de 2022



Nove meses depois de sua gestação, eis que o processo com as contas desaprovadas de 2016 do ex-governador Ricardo Coutinho, finalmente, deve ser encaminhadas para a Assembleia, nos derradeiros dias do ano, como uma espécie de presentinho de Papai Noel.

Em fevereiro deste ano, o Tribunal de Contas do Estado, como se sabe, reprovou as contas do ex-governador. Desde então, seus advogados protocolaram três recursos e, com a rejeição do último embargo de declaração, o processo deve encerrar sua tramitação na Corte.

Aguarda-se para os próximos 15 dias a publicação do último acórdão e o envio dos autos para a Assembleia. O detalhe é que, em dezembro, a Casa deverá entrar em recesso e o início da tramitação das contas só deve mesmo ser iniciada nas calendas do próximo ano… um ano eleitoral.

Na Assembleia, as contas devem ser encaminhadas, inicialmente para as comissões técnicas, que abrirão prazos para a defesa do ex-governador. Somente após cumprir todo o rito, é que o processo será levado para votação em plenário. Não há previsão para o calendário da votação.

O detalhe é que, segundo o presidente Adriano Galdino, para ter as contas rejeitadas o ex-governador deverá ter metade dos votos presentes mais um um. Ou seja, maioria simples. Se todos os 36 deputados comparecerem, ele vai precisar, portanto, de 19 votos.

Esse quórum, Ricardo Coutinho não tem. Pelo menos a preço de hoje. Há quem aposte que ele terá no máximo uns nove votos, incluindo as deputadas Cida Ramos e Estela Bezerra, além de Buba Germano e Jeová Campos, que são os ricardistas remanescentes.

Além destes deputados, a especulação é que mais cinco parlamentares estariam inclinados a votar pela rejeição, por terem sido citados na Operação Calvário e, provavelmente, temerem que o ex-governador possa abrir a sua caixa de maldades, com revelações até hoje guardadas para ocasiões especiais. Mas, é apenas uma especulação.

Mas, o fato de ser um ano eleitoral vai certamente dar um mote para o ex-governador insistir na surrada e cansativa cantilena de estar sendo alvo de perseguição política. E há quem acredite, como, inclusive, alguns não acreditam naqueles áudios em que chega a negociar pagamento de 13º de propina…