PENSAMENTO PLURAL Com ou sem máscara, eis a questão, por Palmarí de Lucena

Group young people wearing face mask for preventing corona virus outbreak – Millennial friends with different age and culture portrait – Coronavirus disease and youth multi ethnic concept

Em sua crônica, o escritor Palmarí de Lucena, registra que uma pesquisa recentemente realizada por cientistas britânicos em comunidades de Bangladesh constatou como o uso de máscaras, especialmente aquelas consideradas de alta qualidade, podem reduzir significativamente a disseminação do novo coronavírus. E pontua: “Evidência bem fundamentada sobre a pertinência e eficácia do uso da máscara e a necessidade de apoiar seu uso contínuo sem hesitação.” Confira íntegra de seu comentário…

A maneira mais eficaz de conter a transmissão da corona vírus transformou-se na pergunta mais urgente do mundo, nos últimos dezoito meses. Pergunta frustrante de responder definitivamente, já que as mais lógicas das soluções estão escondidas na chamada névoa da pandemia. Cobrir a face é reconhecidamente uma forma sensível de bloquear partículas com vírus que saem da boca e entram nas narinas, como já evidenciado no histórico da gripe espanhola de 1918. Desde o começo da pandemia da corona vírus, o uso de máscara há migrado de um ponto de confusão entre especialistas da OMS e o Dr Anthony Falci, para uma narrativa político-partidária com matizes de extremismo ideológico, que há destorcido a necessidade e mérito desta e outras medidas sanitárias, com consequências desastrosas para a saúde e bem-estar da população. 

Formulando um estudo adequado e crível sobre a eficácia da máscara, no entanto, é sumamente difícil quando existem divergências comportamentais entre diferentes níveis de governo e a população e por variações de modelos e materiais usados na sua confecção. Máscaras de alta qualidade, como N95, elastoméricas, cirúrgicas ou de procedimentos, varia de acordo com a situação socioeconômica do usuário, que muitas vezes só tem acesso a produtos artesanais fabricados e comercializadas por autônomos do setor informal. Enquanto isto, testes clínicos que provaram a eficácia das vacinas Covid-19 usando o padrão ouro de pesquisa científica, selecionando candidatos aleatoriamente para tratamento e grupos de controle, medindo cuidadosamente o efeito da intervenção médica. 

Cientistas das universidades de Yale, Stanford, UC-Berkeley e outras instituições, publicaram recentemente conclusões definitivas de um estudo randomizado a nível comunitário sobre o uso de máscaras, envolvendo 350.000 pessoas em 600 vilarejos de Bangladesh. Pesquisadores selecionaram pessoas aleatoriamente com incentivos especiais incluindo a doação de máscaras, pagamento a residentes para motivar pessoas a cobrir a face e recrutamento de líderes comunais e religiosos, como influenciadores da importância do uso de máscaras. Engajaram residentes para monitorar o número de pessoas usando máscaras corretamente em lugares públicos. Coletaram dados sobre a transmissão do vírus, a equipe também entrevistou pessoas com sintomas e realizou testagem de sangue, para determinar quem havia contraído Covid-19 durante o estudo.

A pesquisa demonstrou claramente que máscaras, especialmente as de alta qualidade, funcionam eficientemente na prevenção e proteção contra corona vírus, quando usadas comunitariamente demonstram ser excelente proteção para idosos em risco de sofrerem enfermidades severas, provocadas pela Covid-19. Perguntamos então, onde as conclusões do estudo nos levam? O devastador impacto socioeconômico da pandemia e medidas sanitárias como uso de máscara, forçam uma reflexão de ceticismo saudável, antagonista as vezes, com uma disposição notadamente saudável de mudar de opinião, quando apresentados com evidência bem fundamentada sobre a pertinência e eficácia do uso da máscara e a necessidade de apoiar seu uso contínuo sem hesitação, mesmo com campanhas de imunização atingindo patamares mais altos de eficiência.

 

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